segunda-feira, dezembro 7

"E se eu tivesse três desejos?"



1, 2, 3... Afastem-se! Biiiip. Operação de ressucitação realizada com sucesso. O blog está vivo, senhoras e senhores! É um milagre!

Maravilha, agora vamos ao que interessa. Eu fiz dezoito anos. E, como a emoção de me tornar maior de idade é grande - ainda que eu não beba, não tenha nenhum desejo secreto de experimentar drogas e não planeje ser presa OU alugar filmes pornôs, o que já me avisaram que eu posso fazer, se quiser - esse vai ser o ponto de partida do meu texto de hoje. No próximo, juro que volto com mais teorias mirabolantes e idéias polêmicas, para vocês ficarem bem reflexivos em seus lares.

Ter dezoito anos é... Bom, é basicamente a mesma coisa que ter dezessete, para dizer a verdade. E, para quem está esperando uma grande mudança de personalidade desde os quatro anos, mais ou menos, isso já não é novidade. Eu sempre acho que vou encontrar alguma alteração dramática em mim mesma após soprar as velinhas, e sempre tenho que aceitar que, no fim das contas, não vou acabar muito distante do que sou agora. Não que eu tenha do que reclamar, não mesmo. Não que eu não fosse gostar de ter uns quilos a menos - sem exercícios e comendo todas as besteiras possíveis, é claro.

Se bem que, se vou entrar no quesito desejos impossíveis, é melhor caprichar. Quer dizer, e se um dia eu estivesse andando por aí, muito distraída, rindo de alguma bobagem que havia acontecido mais cedo e enrolando um cacho de cabelo na ponta do dedo, e descobrisse que na verdade não estava tropeçando nos próprios pés como de costume, mas sim em uma lâmpada mágica? E se eu vivesse em um mundo paralelo onde essas coisas de fato acontecessem, e esfregasse a lâmpada e dela saísse um gênio e me concedesse três desejos?

(Nossa, e se eu realmente amadurecesse com dezoito anos e parasse de imaginar histórias desse tipo? O que seria da minha vidinha não tão emocionante quanto os contos de fadas?)

Retomando; caso essa oportunidade apareça, é bom estar preparada. Então, como não custa ser prevenida, preparei uma lista com os meus três desejos - só por garantia, todos muito bem detalhados e esmiuçados. Vai que eu encontro um gênio de meia-tigela? Nunca se sabe.

1. Em primeiro lugar, eu pediria para que eu e todas as pessoas de quem eu mais gosto vivêssemos por todo o tempo que quiséssemos, 100, 200, 300 anos, e com a saúde perfeita. É claro que, quando decidissemos que a hora tinha chegado, que a vida na terra já não era mais grande coisa e que estávamos prontos para partir, poderíamos morrer apenas fechando os olhos e desejando. Eu acho que esse é um desejo muito melhor do que um simples "viver para sempre", já que deve ser muito solitário ver todos os seus amigos e família partirem e ter que continuar sem eles. E, assim, não haveria o medo de não ter tempo suficiente, nem de ficar solitário.

2. Como um grupo razoavelmente grande de pessoas viveria por tempo indeterminado, seria bom ter algumas garantias. Assim, meu segundo desejo seria uma conta mágica no banco que sempre cobrisse o valor retirado. Não que eu não tenha vontade de trabalhar, de ganhar dinheiro com esforço e merecimento - tenho sim. Mas a idéia de poder fazer só o que gosto e ainda viajar nas férias anos após ano parece tão boa que dá vontade de dançar.

O que eu faria com o dinheiro, além de viajar para cada mínimo cantinho inexplorado do planeta? Compraria uma casa linda, com um pátio enorme, nem grande nem pequena demais. Pintaria as paredes de azul e o telhado de branco, e teria flores em canteiros ao redor. Então compraria uma casa para os meus pais pertinho de mim, e uma lancha para os dias de praia no verão, e cavalos para os dias de inverno no campo. E daria os melhores presentes do mundo nos aniversários dos meus amigos, e adotaria uns cinco filhos - com um salário de jornalista, é altamente improvável que eu consiga criar mais de duas crianças de forma apropriada, mas é bom manter as esperanças.

3. Por fim, eu ia querer um romance de cinema. Um amor no estilo "O Diário de Uma Paixão", com beijos na chuva e tudo o mais. Ia querer uma história linda todos os dias, com surpresas e aventuras e só um pouquinho de rotina confortável, segura, algo firme em uma tempestade, e mais nada.

Eu ia querer uma vida boa demais para ser verdade - uma vida que eu ainda espero que aconteça, de forma um pouquinho mais realista, tudo bem, todos os dias. Certo, certo, eu admito. Os dezoito anos ainda não devem estar surtindo efeito. Talvez nunca surtam. Mas esses seriam meus desejos.

O que você pediria?

domingo, outubro 25

"Retrato de Família"


Será que todas são tão bipolares quanto a minha?

sexta-feira, outubro 9

Um Deus Melhor para Um Mundo Melhor



Se houvesse uma eleição para Deus, você o reelegeria? Ou votaria em outra pessoa (ser, criatura, divindade)?

Essa foi a enquete que eu e minha mãe fizemos, há, não sei, uns dois anos atrás, partindo do pressuposto, é claro, de que realmente haja alguém acima de nós. Muitas pessoas disseram que escolheriam outro candidato. Muitas também alegaram que "é melhor não arriscar", e continuariam com esse governante de meia tigela. É melhor deixar gente passando fome e desastres naturais matando milhões por ano, porque sabe-se lá o que pode acontecer com outro.

Eu votaria em alguém diferente. Alguém que não fosse tão arrogante a ponto de exigir servidão absoluta, de querer ser louvado o tempo todo. Que não se dissesse bom e paternal minutos antes de mandar um dilúvio. Que não obrigasse ninguém a morrer "pela sua fé". Que realmente não desse a ninguém mais do que se pode carregar.

E que, além disso, controlasse um pouco melhor essa loucura que anda acontecendo aqui embaixo. Nada contra queimar no mármore do inferno, mas seria bom ter algumas garantias - com as pessoas certas. Aí está outro ponto: sabe aquele ditado, "aqui se faz, aqui se paga?" eu gostaria que fosse verdadeiro.

Pensando assim, começo a pensar se não seria besteira escolher uma pessoa só. Afinal, para que esse totalitarismo? Não vivemos todos em uma democracia há décadas? Bem que está na hora do Céu se modernizar também; deixar um deus só lá em cima está trazendo complicações... e imagina o estresse (porque, se somos mesmo à imagem e semelhança de deus, eu acredito que ele sofra de todos esses problemas, tenha todas essas falhas... Mas, espera aí! O que então lhe dá o direito de governar? Onde foi parar a tal "perfeição"? Assuntos para mais um texto ou dois...)!

Espertos mesmo eram os gregos e romanos, que tinham um deus para cada coisa. Faz muito mais sentido, e evita abusos. Um cuida da miséria no mundo, outro dos crimes, outro das tempestades, outro da agricultura, e assim por diante. Como eles, também podiam aparecer por aqui de vez em quando, fazer uma campanha básica, dar uma ajudinha quando necessário. Só para acalmar os incrédulos, sabe como é. Eu particularmente sou uma que está precisando ver para crer.

Assim, começo aqui minha campanha Um Deus Melhor para Um Mundo Melhor. Alguém quer participar?

sábado, outubro 3

"Ninguém quer Saber de Tudo"


Se você já assistiu uma aula com a turma de Comunicação Social - ou será só no jornalismo? - vai saber do que eu estou falando. Se não assistiu, uma novidade: é tudo culpa da Globo, o povo vive alienado, e a TV para o entretenimento é o mal do século.

Haha. Falando sério, eu não imagino que isso seja totalmente verdade; todos têm um mínimo discernimento do que é ficção e do que é realidade. Além do mais, a Globo pode não ser perfeita - e não é - e, entretanto, há uma lista de problemas muito mais graves do que ela no planeta, convenhamos.

Mas o que parece mais extremo, na minha humilde opinião de estudante de 2º período, é a conversa de que só devíamos assistir a noticiários e programas educativos. Séries, novelas, reality shows, programas de auditório? Tudo besteira, tudo aí para "alienar" o povo, para fazê-lo esquecer das tragédias ao seu redor e parar de se preocupar com coisas sérias. O bom mesmo é estar alerta 24h por dia, sabendo de todos os podres do Congresso, de acidentes nas estradas, dos pais que mataram a filha. Isso sim é que é vida!

Agora, desculpem-me os jornalistas e comunicadores em geral, mas ninguém quer saber de tudo. O mundo é horrível o suficiente com meia hora de informação, quem sabe um pouco mais. É só folhear um jornal qualquer e as notícias ruins saltam aos seus olhos, vindas de toda a parte. Para que saber mais? Para ter mais dor de cabeça? Para não conseguir dormir à noite? Digam o que disserem, um pouco de alienação pode trazer muita paz de espírito.

Afinal, um homem ou uma mulher que trabalharam o dia inteiro não querem voltar para casa para ouvir desgraças. Podem até ver o Jornal Nacional - na Globo, hahaha! - mas depois vão acompanhar a novela. Vão de distrair e descansar, tirar da cabeça que vivem em um lugar perigoso e injusto, e fingir que tudo está ótimo por aquela uma hora que seja.

E não posso culpá-los. Aliás, eu incentivo. Acho que a ignorância, às vezes, é uma benção. E é mais saudável - pergunte a todos os bem informados estressados por aí.

terça-feira, setembro 8

"Uma Qualidade Redentora"


Você já ouviu aquele papo sobre "todos terem uma qualidade redentora"? Sobre como devemos amar cada um pelo seu lado bom? Já te disseram que Hitler adorava cachorros?
Eu acredito nisso. Acredito que ninguém é cem por cento iluminado, um poço de gentileza e compreensão - aliás, por sorte: essa pessoa perfeita seria extremamente irritante, e muito, muito sem graça. Também não acho que alguém esteja completamente no lado negro da força. Deve existir uma coisinha, um detalhe, uma história, algo de que esse vilão goste, ou com que se importe. Não consigo imaginar um ser humano que não se prenda a nada, que não ame ninguém.

Mas vem então a segunda afirmativa: devemos amar cada um pelo seu lado bom. Sério? Você amaria um assassino, um estuprador, um monstro porque, sei lá, ele gostava de flores? Ou porque ele perdeu a mãe quando criança? Ou porque ele tinha um gato de estimação?

Flores, pais, crianças, bichinhos são todas coisas lindas. Não são, entretanto, uma desculpa suficiente para crimes assim. Hitler amava cachorros mas matou milhares de pessoas; o que só mostra que para ele os judeus, negros e homossexuais eram mais insignificantes que animais "irracionais" (eu acredito com todas as forças que os animais pensam e sentem como nós, mas essa é outra história). Às vezes o lado bom simplesmente não é forte o suficiente para superar o ruim. Existem pessoas pelas quais não vale a pena lutar, por mais cruel que isso possa parecer.

É diferente ter uma visão maniqueísta do mundo e ter consciência de que andam por aí indivíduos maus. Por que andam, sim. Não faz diferença se eles estão arruinando vidas por vingança ou por doença - na maior parte das vezes, eles estão arruinando vidas e isso é suficiente para condená-los. São poucos os casos que me deixam em dúvida, que me fazem perguntar quem é realmente o mocinho e o bandido.

Somos todos humanos - com alegrias e tristezas, e memórias e preferências, e paixões e fúrias que vêm e vão o tempo inteiro. Mas é a forma que se lida com essa bola de neve de emoções que faz de você bom ou mau. Você pode pender para um ou outro lado, e tentar deixar a balança em equilíbrio. E ir levando assim, com leves oscilações, realizando nossa pequena dança entre o moral e o imoral, sem nunca encostar em uma das extremidades, sempre voltando para o meio, para o não-tão-bom-e-não-tão-ruim que é o normal.

Agora, quem perde mais tempo agindo de forma perversa, realizando atrocidades, quem comete barbaridades sem sequer se dar ao trabalho de demonstrar culpa... Bem, não venha me dizer que essa é uma pessoa boa. Mesmo que ela goste de cachorros.